sexta-feira, 15 de março de 2013

Porque os cardeais usam a cor vermelha?




O anúncio da renúncia de Bento XVI em 11 de fevereiro último, colocou em cena a figura dos Cardeais, especialmente pelo seu dever, no Conclave, em escolher o sucessor de Pedro. Vestindo o vermelho em todo o período de ‘Sé Vacante’ os cardeais representam a Igreja até à eleição de um novo Papa. Na Igreja Católica, as roupas têm uma função crucial, porque indicam a posição hierárquica ocupada: do cardeal ao simples padre.

Da cabeça aos pés, o emblema distintivo dos Cardeais eleitores, os príncipes da Igreja, é sobretudo a cor vermelha, a dita púrpura cardinalícia, a cor do Senado romano, que também lembra o sangue derramado por Cristo. 

No momento em que o Papa cria Cardeal diz: “receba esta púrpura em sinal da dignidade e do ofício de Cardeal, ela significa que você está pronto para executar com força, de modo a dar o seu sangue para o aumento da fé cristã’. 

Como os senadores romanos, que eram definidos metaforicamente como ‘parte do corpo do Imperador’, os Cardeais, que compõem o ‘Senado’ da Igreja, também fazem parte, desde o século XII, ‘do corpo do Papa’. Suas batinas, barrete e mozeta (capa curta) devem ser igualmente vermelhos durante o Conclave, enquanto na vida comum a batina usada é preta com botões vermelhos. Para os cardeais, a cor púrpura é fundamental, pois permite-lhes aproximar-se do Papa simbolicamente, que usa exclusivamente duas cores: branco (batina e solidéu) e vermelho (mozeta e sapatos). 

Os cardeais também usam um anel, que é tradicionalmente de safira e, mesmo que não tenha recebido a consagração episcopal, usam a cruz peitoral, a mitra e o báculo. O título específico é de Cardeal da Santa Igreja Romana (Ecclesiae Sanctae Romanae cardinalis). 

O L’Osservatore Romano publicou no último domingo uma longa matéria sobre o código de vestimenta a ser seguido pelos cardeais durante a missa que antecede a abertura do Conclave, salientando a importância simbólica desses sinais externos de poder. 

Até a Instrução Ut sive sollicite, de 31 de março de 1969, eles também usavam o chapéu vermelho cardinalício, o galero, grande chapéu de asa larga que pendia borlas de cada lado até o peito e que foi imposto em consistório. É ele que vemos nos braços dos cardeais. 

No Império Romano, o título de ‘cardinalis‘ era dado para os oficiais da coroa, generais do exército, ao prefeito pretoriano na Ásia e na África, porque cumpriam as principais funções do império. Na Igreja, os Cardeais eram originalmente membros do clero de Roma, dependentes do bispo de Roma, que era responsável por elegê-los. 

Em 1059, na época da reforma gregoriana, o Papa Nicolau II definiu com maior precisão o seu status. Através da Bula ‘In nomine Domini’ reservou a eleição dos Papas exclusivamente aos Cardeais. (JE)

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