quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Você não se enganou: é mesmo o filme do Superman que sugerimos. Nosso Blog, como todo mês, faz recomendações de livros e filmes. Neste mês sugerimos o filme Man Of Steel (O Homem de Aço) que traz as situações de conflito que Clark Kent, como homem, tem que enfrentar e o enredo aborda várias temática como família, guerra, religião dentre outras. 
A situação em destaque é a cena que Clark partilha suas duvidas com o padre local. Na verdade, a Igreja é o lugar em que ele busca (e encontra) respostas.

domingo, 11 de agosto de 2013

O legado da JMJ


Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
Os mais de três milhões de pessoas, sobretudo jovens, no magnífico cenário da praia de Copacabana, a presença carismática institucional e pessoal do Papa Francisco, suas palavras simples e diretas, a confraternização entre jovens de 180 nações presentes, o respeito das autoridades civis, a ordem, a paz, a ausência de ocorrências policiais, o clima religioso de oração, o entusiasmo, alegria da juventude e sua comoção até às lágrimas, a disponibilidade e abnegação dos 60 mil voluntários, o testemunho sincero dos estrangeiros, a afluência dos jovens brasileiros do Oiapoque ao Chuí, a calorosa acolhida feita aos visitantes, a presença de 800 Bispos e Cardeais, de milhares de padres, seminaristas e religiosas, as 900 catequeses dadas pelos Bispos nas diferentes Igrejas, as exposições, a belíssima e artística Via-Sacra, as Santas Missas, etc. ficarão para sempre gravadas no coração de todos, católicos ou não. Honra seja feita à Igreja Católica capaz dessa mobilização com tais características!
“Não sou católica, mas a passagem do Papa Francisco pelo Rio me comoveu. Mais que uma mensagem de fé e esperança, o Papa Francisco é um exemplo vivo de sabedoria, simplicidade e caridade. Sua Santidade fez um milagre: com seus 76 anos, contagiou todas as faixas etárias, todos os diferentes credos e nos possibilitou viver, em apenas sete das, a Sexta-Feira da Paixão de Cristo, a Páscoa, o Corpus Christi e o Natal. A Jornada Mundial da Juventude é a maior demonstração de esperança que Sua Santidade deposita, em especial no jovem, para um futuro melhor. Tenho 18 anos, e aí eu me enquadro”, escreveu uma leitora de Niterói (O Globo, 29/7/2013, pág. 13).
“Tanto a visita do Pontífice como a Jornada Mundial da Juventude deixaram lições também para ateus... Diferentemente das aglomerações públicas a que nos acostumamos no Brasil recente, aquela multidão, heterogênea na procedência e homogênea no estado de espírito, não intimidava, não desassossegava... O ímpeto inicial e a liga de cimento que mantinham a coluna de peregrinos unida na mesma trajetória era, inegavelmente, a fé cristã. Mas o impacto redentor da manifestação maciça de boa vontade não se restringia à alma católica: os descrentes não se sentiram deslocados no Rio nos dias em que a cidade foi o centro do catolicismo...” (Artigo de Berilo Vargas, jornalista; O Globo, 29/7/2013, pág. 4, artigo: “Sua Simpaticíssima Santidade: lições a ateus”).

No lado material e financeiro, dados do Ministério do Turismo revelam que dois milhões de turistas estiveram no Rio durante a JMJ, movimentando R$1,2 bilhão na economia da cidade, um recorde de visitação no país, o que supera em muito os gastos investidos na Jornada. Além disso, segundo a mesma fonte, 93% dos turistas vindos de 170 países pretendem voltar para conhecer melhor o Rio: grande benefício para o turismo. Os seis mil jornalistas de mais de 70 países que cobriram a Jornada, levaram ao mundo inteiro, assim como os visitantes, o saudável impacto espiritual, religioso, artístico e ordeiro que o Rio de Janeiro lhes ofereceu.

Agosto: mês vocacional


Agosto: mês vocacional
No Brasil o mês de agosto é sempre uma oportunidade para que possamos refletir sobre o chamado que Deus nos faz para vivermos de um modo mais concreto a nossa vocação à santidade, que recebemos no dia em que fomos batizados.
Na primeira semana, lembramos a vocação sacerdotal, refletimos sobre a sua importância para a Igreja e rezamos ao Senhor da messe para que envie operários, de modo que não faltem padres para cuidar das mais diversas comunidades espalhadas pelo Brasil.
Em seguida, recordamos a vocação religiosa. Nossa mente se volta para os homens e mulheres que se consagraram a Deus através dos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência para viverem em comunidade segundo o carisma de seus fundadores e servirem à Igreja e ao povo de Deus nos mais diferentes serviços, sejam de natureza religiosa ou social. Lembramo-nos também dos missionários e missionárias que deixaram suas terras e foram para os locais mais distantes no serviço do Reino de Deus, anunciando Jesus Cristo aos que ainda não O conhecem.
Há também outra vocação que não pode ser esquecida: a dos fiéis leigos e leigas que, através do exercício de ministérios não ordenados, se fazem presentes nas comunidades eclesiais e no mundo e se dedicam à evangelização na família, no trabalho profissional e no seu ambiente social, para santificar o mundo e fazer com que ele deixe de ser a cidade dos homens para tornar-se a cidade de Deus. Dentre os diferentes ministérios leigos, o último domingo de agosto destaca a catequese, comemorando o dia dos catequistas.
Grandes santos são lembrados neste mês, como: São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, padroeiro dos párocos; São Lourenço, padroeiro dos diáconos; Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação dos Missionários Redentoristas; São Tarcísio, padroeiro dos coroinhas; Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina e, de modo especial, nossa Santa Mãe do Céu, Maria Santíssima, que é recordada na solenidade da sua Assunção, nos apontando o feliz destino de todos os que dizem “Sim” a Deus.
O tema vocacional é, de modo especial, voltado para os jovens. É um apelo para que todos procurem ouvir a voz de Deus e dizer sim ao seu chamado para servirem concretamente ao seu Reino.
Rezemos para que a Mãe Aparecida abençoe a Igreja, e, especialmente, os jovens, a fim de que sejam fiéis no seguimento de Jesus Cristo e obedientes ao mandato de seu Fundador e Mestre: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos”. O Papa Francisco, em sua homilia da Santa Missa para a 28ª JMJ, afirma: “Não tenham medo! Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai a nossa frente e nos guia. Ao enviar seus discípulos em missão, Jesus prometeu: “Eu estou com vocês todos os dias” (Mt 28,20). E isto é verdade também para nós! Jesus nunca deixa ninguém sozinho! Sempre nos acompanha.”
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida (SP)
Presidente da CNBB
 

sábado, 10 de agosto de 2013

Papa Francisco, seu amor aos pobres é fidelidade ao evangelho e não gestos de inspiração ideológica




Os teólogos da libertação o elogiam, porém, entre ele e eles há um abismo. Os progressistas o contam entre suas fileiras, mas ele mantém-se afastado. O verdadeiro Francisco é muito diferente do que alguns imaginam
Sandro Magister
Em perdurável lua de mel com a opinião pública, o Papa Francisco também ganhou o elogio do mais combativo dos teólogos franciscanos, o brasileiro Leonardo Boff: “Francisco dará uma lição à Igreja. Saímos de um inverno rígido e tenebroso. Com ele vem a primavera”.
Na realidade, Boff abandonou há tempo o hábito franciscano, casou-se e substituiu o amor por Marx pelo amor ecologista pela mãe terra e o irmão sol. Porém, é ainda o mais famoso e o mais citado dos teólogos da libertação.
Quando há somente três dias de sua elevação ao papado Jorge Mario Bergoglio invocou “uma Igreja pobre e para os pobres”, parecia uma coisa feita à sua anexação às fileiras dos revolucionários. Na realidade, há um abismo entre a visão dos teólogos latino-americanos da libertação e a visão deste Papa argentino.
Bergoglio não é um prolífico autor de livros, mas o que deixou por escrito é suficiente e permite entender o que tem em mente com seu insistente misturar-se com o “povo”. Ele conhece bem a teologia da libertação, a viu nascer e crescer também entre seus irmãos jesuítas, porém sempre marcou seu desacordo com ela, inclusive ao preço de se encontrar isolado.

Seus teólogos de referência não eram Boff, nem Gutiérrez nem Sobrino, senão o argentino Juan Carlos Scannone [1], também jesuíta e detestado, que havia sido seu professor de grego e que havia elaborado uma teologia, não da libertação senão “do povo”, fundamentada sobre a cultura e a religiosidade da gente comum, em primeiro lugar dos pobres, com sua espiritualidade tradicional e sua sensibilidade pela justiça.

Hoje, com 81 anos de idade, Scannone é considerado o máximo teólogo argentino vivo, enquanto que sobre o que resta da teologia da libertação já em 2005 Bergoglio concluiu seu discurso deste modo: “Com a derrubada do império totalitário do ‘socialismo real’, essas correntes ficaram afundadas no desconcerto, incapazes de um restabelecimento radical e de uma nova criatividade. Sobreviventes por inércias, embora haja ainda hoje quem as proponham anacronicamente”.

Bergoglio deslizou esta sentença condenatória contra a teologia da libertação em um de seus escritos mais reveladores: o prólogo de um livro sobre o futuro da América Latina, o qual tem como autor seu amigo mais íntimo na cúria vaticana, o uruguaio Guzmán Carriquiry Lecour [2], secretário-geral da Pontifícia Comissão para a América Latina, casado, com filhos e netos, o laico de mais alto grau na cúria.


No julgamento de Bergoglio, o continente latino-americano já conquistou um posto de “classe média” na ordem mundial, e está destinado a se impor ainda mais em futuros cenários, porém está solapado no que tem de mais próprio: a fé e a “sabedoria católica” de seu povo.

A farsa mais temível ele vê no que chama “progressismo adolescente”, um entusiasmo pelo progresso que na realidade volta-se – diz – contra os povos e as nações, contra sua identidade católica, uma vez que “tem relação com uma concepção da laicidade do Estado que é antes um laicismo militante”.
Recentemente reagiu na Europa a favor da proteção jurídica do embrião.
Em Buenos Aires não se esqueçam de sua tenaz oposição contra as leis a favor do aborto livre e dos casamentos “gays”. Na promoção de leis similares em todo o mundo ele vê a ofensiva de “uma concepção imperial da globalização”, a qual “constitui o totalitarismo mais perigoso da pós-modernidade”.
É uma ofensiva que para Bergoglio leva o sinal do Anti-Cristo, como em uma novela que gosta de citar: “Senhor do mundo”, de Robert H. Benson, anglicano convertido ao catolicismo há um século.
Em suas homilias como Papa, a mais que freqüente referência ao diabo não é um artifício retórico. Para o Papa Francisco, o diabo é mais real do que nunca, é “o príncipe deste mundo” que Jesus derrotou para sempre, mas que ainda tem liberdade para fazer o mal. Em uma homilia de há alguns dias ele formulou uma advertência: “O diálogo é necessário entre nós, para forjar a paz. Porém, com o príncipe deste mundo não se pode dialogar. Jamais!”.

Notas do autor:
[1] Duas entrevistas recentes ao teólogo argentino Juan Carlos Scannone, a primeira em inglês paraZenit: Retired Teacher Remembers Young Jorge Bergoglio (http://www.zenit.org/en/articles/retired-teacher-remembers-young-jorge-bergoglio) e a segunda em italiano para Il Regno: La teologia di Francesco (http://www.ilregno.it/it/rivista_articolo.php?RID=0&CODICE=52516).

A continuidade entre o Papa Francisco e a teologia de Scannone foi posta em relevo também pelo cardeal Camillo Ruini, em uma entrevista – Il mio Papa gesuita – (http://www.ilfoglio.it/soloqui/17969) Il Foglio em 26 de abril:

“Nos anos ’70 ditei cursos monográficos, em Reggio Emilia e em Bolonha, sobre a teologia da libertação, que nessa ocasião estava em moda na Itália. Por isso estudei um pouco também a teologia argentina, por exemplo, a elaborada pelo jesuíta Juan Carlos Scannone, que foi professor de Bergoglio. Já então esta teologia era reconhecida como essencialmente diferente, porque não se baseava na análise marxista da sociedade, senão sobre a religiosidade popular.
Assimilar hoje a insistência do Papa Francisco sobre a pobreza e sobre a aproximação com os pobres à teologia da libertação, está totalmente fora de lugar. Trata-se, pelo contrário, simplesmente de fidelidade a Jesus e ao Evangelho.
[2] Guzmán Carriquiry, “Una apuesta por América Latina. Memoria y destino históricos de un continente”, Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 2005 (http://www.amazon.com/apuesta-America-Latina-Commitment-Spanish/dp/9500726564/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1367831905&sr=1-1&keywords=Carriquiry).
Tradução: Graça Salgueiro